no

Por que os polvos não se enrolam nos próprios tentáculos?

Polvos produzem uma substância química que impede seus tentáculos altamente “sugadores” de agarrar às partes do corpo do animal.

Foto: Pixabay

As centenas de ventosas nos oito braços de um polvo sugam reflexivamente praticamente qualquer coisa em que tocam. Ainda assim, é interessante pensarmos que os polvos nunca se enrolam nos próprios tentáculos, mesmo que esses animais nem sempre saibam exatamente o que seus braços estão fazendo. Então, por que isso acontece?

Bem, como você verá ao longo deste artigo, o que acontece é que a pele desse tipo de animal produz uma substância química que impede seus tentáculos altamente “sugadores” de agarrar às próprias partes do seu corpo.

Tentáculos dos polvos
Foto: Pixabay

A principal razão pela qual os polvos não se enrolam nos próprios tentáculos

De acordo com o neurocientista Guy Levy, da Universidade Hebraica de Jerusalém, o principal autor do primeiro estudo focado inteiramente nesse assunto, os tentáculos do polvo têm um mecanismo embutido que evita que as suas ventosas agarrem a pele do próprio animal. Curiosamente, essa é a primeira demonstração de um mecanismo químico de auto-reconhecimento no controle motor.

Para descobrir como um animal dessa espécie consegue evitar de se enrolar em si mesmo, Levy e seus colegas cortaram o braço de um polvo e o submeteram a uma série de testes. Vale destacar que esse procedimento não é considerado traumático para o animal porque, segundo Levy, os polvos ocasionalmente perdem um braço na natureza e se comportam normalmente enquanto o membro se regenera.

Os polvos claramente têm algum tipo de revestimento à prova de ventosas em sua própria pele. A equipe confirmou essa ideia extraindo produtos químicos e aplicando esses coquetéis em placas de Petri. Eles descobriram que uma substância presente na pele dos polvos impedem que as ventosas grudem nela mesma.

Foto: Pixabay

Uma questão de identidade

Um fato interessante é que essa pesquisa também mostra que os polvos são capazes de identificar seus próprios braços, mesmo após a amputação. Entretanto, os cérebros dos polvos não monitoram constantemente a posição exata e o movimento de todos os seus braços.

Na prática, o que acontece é que cada braço tem seu próprio “motor controlador”, que pode ser descrito como um conjunto de neurônios que pode controlar seu movimento independentemente do resto do corpo.

Foto: Pixabay

Uma palavra final

Vale mencionar que as descobertas feitas através do estudo também demonstram que a visão não é o sentido dominante para o polvo, de modo que a composição química em seus tentáculos e o tato são mais importantes. Consequentemente, isso abre uma janela para o desenvolvimento de pesquisas focadas na coordenação central-periférica que compõe o controle motor desses animais.

Leia Também: Por que as galinhas não voam tão bem como as outras aves?
Leia Também: Quantos frangos são abatidos por dia para o consumo humano?

Obviamente, os estudos já realizados nessa área são apenas um começo. Os cientistas ainda conhecem muito pouco sobre os produtos químicos dessas criaturas, mas as descobertas iniciais podem abrir espaço para conclusões mais específicas no futuro.

Os polvos são animais muito interessantes, não é mesmo? Se você gostou deste post, não se esqueça de compartilhá-lo! 😉

Esse post merece um GOSTEI ou NÃO GOSTEI?

Por que as galinhas não voam tão bem como as outras aves?

Por que os coelhos comem o próprio cocô?