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O que foi a Guerra do Porco?

Conflito registrou apenas uma vítima fatal: um porco comedor de batatas.

Conflito teve início após a morte de um porco. (Foto: Pixabay)

Quando os Estados Unidos passaram a estabelecer uma nova perspectiva de desenvolvimento político e econômico ao longo do século XIX, suas intenções logo começaram a irritar uma das mais antigas e mais estabelecidas das nações: a Grã-Bretanha. O que eles não sabiam era que isso traria consequências que levariam à deflagração da inusitada Guerra do Porco.

Ao longo desse artigo, nós vamos explorar um conjunto de eventos que podem nos ajudar a entender como um conflito entre os Estados Unidos e o Império Britânico chegou ao fim com apenas uma única vítima fatal: um porco.

Mapa da época mostrando a região em disputa. (Foto: Wikimedia Commons)

Uma briga territorial

Durante boa parte do século XIX, os americanos tentaram obter parte do Canadá, então sob controle britânico. A Grã-Bretanha, obviamente, manteve sua posse. No entanto, os americanos, confiantes em suas capacidades de negociação, decidiram discutir até onde a fronteira norte do seu território chegaria.

Essas várias negociações sobre o território americano e britânico continuaram por algum tempo, mais precisamente até 1846, quando o Tratado de Oregon tentou traçar literalmente uma linha na areia entre o território das duas nações. A partir desse acordo, foi decidido que a divisão implicaria o seguinte:

Ao longo do paralelo 49 da latitude norte até o meio do canal que separa o continente da ilha de Vancouver, e daí ao sul pelo meio do referido canal e do estreito de Juan de Fuca, no Oceano Pacífico.

Como E. C. Coleman conta em seu livro The Pig War: The Most Perfect War in History, todos esses termos técnicos pareciam bastante específicos, mas os envolvidos ignoraram um pequeno aglomerado de ilhas. Basicamente, os termos não indicavam como deveria ser feita a divisão territorial nesse local.

Para aumentar a confusão, os mapas disponíveis da região não eram precisos e as duas nações deixaram a mesa de negociações com ideias muito diferentes com relação ao território que cada uma possuía por direito. Para os britânicos, as ilhas pertenciam a eles, sendo que a ilha de San Juan, em particular, servia a um grande propósito estratégico. Por isso, eles logo arrendaram a ilha à empresa British Hudson’s Bay Company.

Aquarela de uma fazenda de ovelhas de San Juan na época da Guerra do Porco. (Foto: National Park Service)

O início da Guerra do Porco

Em 15 de dezembro de 1853, a empresa British Hudson’s Bay Company transportou para a ilha de San Juan cerca de 1.300 ovelhas, além de alguns porcos, como objetivo de dar início a uma fazenda. Toda a operação ficou a cargo de um britânico chamado Charles Griffin, que seria auxiliado por alguns pastores havaianos.

Griffin rapidamente se sentiu à vontade na ilha, construindo alguns prédios e vivendo uma vida bastante tranquila. No entanto, a paz do homem não duraria muito, pois a corrida do ouro atingiria a região em 1958.

Nesse período, milhares de caçadores de ouro americanos chegaram à ilha. Um desses americanos, um homem chamado Lyman Cutlar, acreditava que a terra era dele por direito americano e começou a ocupar uma das terras da região, nas proximidades das criações de animais de Griffin.

Eventualmente, um dos porcos de Griffin fugiu do chiqueiro e devorou várias batatas das terras ocupadas por Cutlar. Então, o americano tomou uma ação que traria consequências inimagináveis: ele atirou no porco.

Após o ocorrido, Griffin foi até a casa de Cutlar e exigiu receber alguma compensação por sua perda. No entanto, o americano se recusou a pagar pelo porco, pois, segundo ele, o animal invadiu sua terra. Por boa ou má sorte (dependendo da sua perspectiva), um navio da Hudson’s Bay Company carregando três pessoas chegou à ilha naquela tarde, intensificando ainda mais a confusão.

No fim das contas, esse choque desastroso de teimosia britânica e orgulho americano saiu do controle rapidamente.

Aquarela mostrando o acampamento americano na Ilha de San Juan. (Foto: National Park Service)

O fim da Guerra do Porco

No auge do conflito, um total de 66 tropas americanas desembarcaram e montaram acampamentos na ilha. Do outro lado, os britânicos responderam enviando três navios de guerra.

No início de agosto de 1859, 461 americanos com 14 canhões enfrentavam uma frota britânica agora composta por cinco navios de guerra com pelo menos 70 armas e 2.140 homens. No entanto, ambas as tropas ficaram na defensiva, sem ataques bélicos ou coisas do tipo.

A coisa toda se prolongou até 1872. Nesse ano, foi determinado que o destino da ilha seria decidido por arbitragem internacional. Após muitos debates, as Ilhas San Juan foram cedidas pela Grã-Bretanha aos Estados Unidos.

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Em novembro de 1872, as forças britânicas finalmente se retiraram da região e o conflito chegou ao fim com apenas uma vítima: o porco que adorava comer batatas.

A Guerra do Porco foi um conflito muito bizarro, não é mesmo? Se você gostou desse post, não se esqueça de compartilhá-lo!

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